segunda-feira, 18 de março de 2013

Cercados do amor de Deus

Acho engraçado quando vai alguém da cidade visitar nossa casinha na roça e começa a dar várias ideias mirabolantes. "Por que vocês não instalam um sistema de aquecimento solar para o chuveiro? É super simples!" "Por que vocês não colocam um biodigestor pra produzir eletricidade?" "Por que não encanam a água dessa mina?" "Vocês podiam construir um sistema para armazenar água da chuva..." A verdade é que eu quero fazer tudo isso. Farei tudo isso e muito mais, mas não dá pra fazer tudo ao mesmo tempo, e nem dá pra fazer as coisas muito rápido, por questões óbvias de que nada é de graça nessa vida, nem mesmo na roça. Por isso, eu e o Leandro passamos horas e horas fazendo listinhas de tarefas e colocando-as em ordem de prioridade... e mudando a ordem de prioridade... e eu dando chilique porque acho que primeiro tem que fazer o jardim, mas o Leandro acha que primeiro tem que fazer o galinheiro...
Mas a prioridade prioritária mesmo era ter condições de receber os cavalos. Em outras palavras: pasto, cercas, porteiras, água. Então nossas primeiras compras foram alguns quilômetros de arame e algumas centenas de postes de eucalipto tratado. 

Eu não imaginava que íamos precisar de tanto poste pra cercar uma terrinha tão pequena...

Eram muuuuitos postes mesmo...

A Frida e a Madona acharam muito divertida a pilha de madeira...

E aproveitaram pra brincar de MMA...

"Volta aqui, sua medrosa! Não foge, não!"
"Vou pegá-la de surpresa!"
"Tá bom, tá bom, eu me rendo! Você é mais forte!"
Demorou e deu um trabalhão, mas as cercas de divisas ficaram boas e fizemos alguns piquetes. O Luiz Henrique e o Pedrinho fizeram um trabalho excelente e muito caprichado. Eu não imaginava que era um serviço tão difícil fazer cerca, mas depois de ver o Pedrinho, magrinho desse jeito, furando buraco pra fincar poste com a cavadeira manual, nos lugares onde o trator não chegava... Não é pra qualquer um não...

Nesse fim de semana meu pai finalmente foi conhecer nossa terrinha, depois de muita insistência nossa. Olhou a cerca e falou: "Cerca boa, hein! Muito bem feita..." Fiquei encantada com o elogio, que é coisa rara. "É novinha, pai!" falei orgulhosa. E ele: "Que madeira é essa?" "Eucalipto tratado." Ele fez uma careta: "Vixi... Eucalipto não aguenta nada... Isso aqui não dura. No meu tempo, lá no Goiás, a gente só fazia cerca com poste de aroeira." Nem tentei explicar que há quarenta anos ainda não era proibido derrubar uma aroeira pra fazer poste. Hoje, nem se a gente quisesse, não achava pra comprar esse tipo de madeira, e se achasse uma madeira certificada, legal, ia ter que vender até a terra pra comprar um punhado de postes. Bom, mas o que importa é que estou felicíssima com nossas cercas e com nossos lindos postes de eucalipto. É o começo. Ainda temos muito que fazer. Então vamos em frente, um passinho de cada vez, com muita fé e cercados do amor de Deus!