sábado, 6 de abril de 2013

O sapo surdo e as sementes de capim

O sapo:

Ontem fomos comer uma batata frita e uma costela assada no bafo lá no bar da cocheira. Convidamos Sônia e Rubinho. Sônia é uma das minhas pessoas preferidas no mundo. Inteligente, alegre, descomplicada, ela está sempre me ensinando algo. Entre uma batatinha e outra, enquanto os meninos jogavam uma partida de sinuca, ela me contou a seguinte estorinha:

"Um bando de sapos decidiu escalar uma montanha. Começaram bem animados e saltitantes, mas ao longo do caminho algnus foram se cansando e desisitiram da escalada. Esses desanimados pararam na beira da estrada e começaram a cantar para os que ainda prosseguiam escalando: 'Você não vai conseguir! Você não vai conseguir!' À medida que mais sapos iam desistindo, mais forte ficava o coro. No final, apenas um sapinho alcançou o topo da montanha. Curiosos com a força superior daquele sapinho, os outros animais foram perguntar a ele como é que tinha conseguido aquela façanha. E aí descobriram que o sapinho era surdo."

As sementes:

As caixas de papelão ficaram amontoadas aqui em casa por algumas semanas, ocupando todo o espaço do hall e deixando a casa com jeito de depósito. De novo. Abrimos uma caixa e mergulhei as mãos no conteúdo. As sementes, pequeníssimas e muito leves, grudavam em meus dedos, colorindo a pele de um verde vivo. Tanta esperança, tantos sonhos depositados em sementinhas tão pequenas. Dentro de cada grãozinho, a vida adormecida, esperando a hora de despertar. Assim que as chuvas começaram, levamos nossas preciosas sementes para seu lar definitivo.  

Como sempre, contamos com a ajuda dos amigos. A caminhonte foi o Marquinho que emprestou.
Tem mais alguma sementinha aí????
A semeadura foi toda feita num dia, com a ajuda do Arnaldo e seu trator. 


Olha aí os grãozinhos de adubo e as sementinhas já espalhadas.



Dava um frio na barriga de ver as sementes tão frágeis, espalhadas pelo chão... Eu ficava penssando: "Será que elas vão nascer mesmo? Será que os passarinhos não vão comer tudo? As formigas não vão carregar?" O Leandro estava totalmente confiante. No exterior. Porque eu sabia que por dentro ele estava no último grau de ansiedade. Ele queria ir lá todos os dias, ver se elas já estavam germinando. O tempo previsto era de 15 dias. Como demorava a passar...

Leandro examinando a terra semeada.
 Olhando para a terra arada e semeada, eu ficava me perguntando se tínhamos feito a coisa certa. Não era melhor ter deixado a grama boiadeira como estava? Estava bonita, tão verdinha... Por que fomos arrancar tudo pra plantar esse capim que o pessoal daqui nem conhece? Tanta gente torceu o nariz pra nós quando falamos do capim vaquero... Ouvimos todo tipo de crítica. "O bom mesmo era plantar um tanzânia..." ou "Tem que deixar uns piquetes de braquiária." e "Não sei não... Semente importada? Será que isso vai dar certo aqui?" Vendo a terra nua, todos os meus medos vieram à tona. E se não desse certo? Porque era uma chance única. Não tinha tempo nem dinheiro pra mudar de ideia. Para o Leandro, era pura pressão, porque ele é que decidiu por esse capim. Ele estudou as propriedades nutricionais, as características, e apostou todas as fichas nele, contra a opinião de muita gente. Sabíamos que se não desse certo, tinha muita gente só esperando o momento de dizer: "Tá vendo? Eu avisei!"

Essa foto eu tirei durante um passeio a cavalo. A casinha azul e nossa terrinha cheia de sementes e esperanças.

Pra piorar nossa ansiedade, assim que semeamos, as chuvas simplesmente resolveram não vir mais. Passou um dia, passaram dois, três, quatro, e nada de chover. Fui ficando deseperada. Sem chuva, nada de germinação. Minhas orações eram só assim: "Senhor, manda chuva, por favor..." Resolvi confiar em Deus e, por isso, me recusei a ouvir ou assistir qualquer previsão climática. Fugia da sala quando começava a previsão do tempo na TV. Eu pensava: "A chuva vai vir no tempo de Deus."

Um dia, olhando o quintal, achei essas florzinhas vermelhas que a minha avó Ana gostava. São umas florzinhas do mato, a coisa mais simples do mundo. Não sei o nome certo delas. A minha avó chamava de "pingos de amor". Resolvi fotografar as florinhas e, de repente, percebi ao fundo um céu carregado de promessas: era a chuva que chegava!


As fotos aí embaixo foram tiradas quarenta e cinco dias depois da semeadura. Como Deus é bom!


Nosso capim verdinho!!!

Sei que ainda temos muitas difculdades pela frente. Cada vitória tem sido precedida de muita luta. E sei que pode parecer loucura pra muita gente, mas ver esse capim verdinho me encheu de uma alegria que é difícil até de explicar. Só o que posso fazer é repetir: Deus é bom. Deus é muito bom!

Ah, esse post é dedicado a você, Leandro, meu querido sapinho surdo!

2 comentários:

  1. Linda, sempre ouvi o Rogério falar de adaptação de alguns bichos que perdem algum recurso que não é usado em várias gerações, ou ganham alguma habilidade/atributo que necessitam para sobreviver... tendo em vista tudo isso, considero que minha surdez foi desenvolvida pela vontade de alcançar meus objetivos... um dia chegarem lá! A luta continua! :*

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  2. quanto tempo levou para germinar após a chuva

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